segunda-feira, 30 de maio de 2011

Equipe E Jogada Da Semana

No Campeonato Espanhol, um time de reservas não apenas cumpriu tabela diante do Málaga como encerrou a triunfante campanha tricampeã nacional com uma vitória por 3a1. Mas o melhor ficou guardado para o sábado, dia 28 de maio de 2011. Na final da Liga dos Campeões da Europa, o Barcelona fez diante do Manchester United aquilo que fizera diante de Real Madrid na fase semifinal, de Shakhtar Donetsk nas quartas, de Arsenal nas oitavas, e de qualquer um com quem tenha dividido um gramado futebolístico ao longo da temporada: jogou um futebol do mais alto nível. Para coroar uma temporada mais uma vez magnífica, para um clube que entra para a história do esporte mundial como sendo talvez o melhor de sua modalidade. Mas o melhor de tudo é que na próxima temporada tem mais Barcelona de Josep Guardiola, Lionel Messi e (ótima) companhia. Viva o futebol!

Jogada da semana

Gostaria de escolher um dos gols da decisão européia. Foram quatro belos gols, cada um com seu encanto. O de Pedro Rodríguez, abrindo o placar, veio após passe sensacional de Xavi Hernández. O de Wayne Rooney, empatando a partida, deu-se após um chute certeiro no canto direito (embora tenha havido impedimento no lance). O de Lionel Messi, desempatando o jogo, veio para coroar o melhor jogador do mundo na atualidade, que marcara seu primeiro gol em solo inglês justo numa final continental em Wembley. Mas o melhor - pelo menos no meu julgamento - ficou guardado para o final: o último gol da competição, marcado por David Villa. Reveja quantas vezes quiser a finalização desse baita atacante espanhol, goleador da Copa do Mundo 2010 (o da Liga dos Campeões foi Messi).

Jóbson Marca 2 Em Empate De 6 Gols

Após mais de 7 anos sem atuar em Salvador pela primeira divisão no campeonato brasileiro (a última vez havia sido em 14.12.2003, quando levou uma sapecada de 7a0 para o Cruzeiro, de Vanderlei Luxemburgo), o Bahia deu o ar de sua graça em Pituaçu, na capital baiana. O estádio estava praticamente lotado, com cerca de 33.000 presentes que alternaram emoções no empate de 6 gols entre o Tricolor de Aço e o Flamengo. Antes da bola rolar, o Bahia apresentou dois reforços de peso para o meio: Carlos Alberto e Ricardinho, jogadores de incontestável capacidade técnica mas de comportamento duvidoso.


O jogo

Os cânticos da torcida empurravam os comandados de René Simões ao ataque e o time abriu a contagem com Lulinha: Souza, jogador com passagem pelo Flamengo, protegeu a bola da marcação e ela acabou sobrando para o jovem ex-Corinthians chutar firme no canto esquerdo. Mas o time visitante reagirira: Thiago Neves, que havia errado pelo menos dois chutes a gol, dessa vez errou o domínio de bola mas acabou proporcionando que ela chegasse até Ronaldinho Gaúcho, em involuntário corta-luz. Sem desperdício, o camisa 10 empatou a partida com chute no canto esquerdo.

A marcação do Bahia era forte, com Hélder e Fahel protegendo com muita determinação a linha de defesa. E, para piorar as coisas ao adversário, o time da casa conseguiu um contra-ataque fulminante, que terminou em assistência de Lulinha para conclusão de Jóbson: 2a1.

Mas o Bahia voltou do intervalo mais disposto a se defender do que nunca, dando campo para o Flamengo jogar. Praticamente como um castigo à falta de dedicação ao ataque, o time cedeu o empate: Wanderley receberia passe de Ronaldinho mas, a exemplo de Thiago Neves no lance do gol flamenguista, também errou o domínio de bola. E veja como são as coisas - a redonda passou pelo atacante e chegou limpa no argentino Dario Bottinelli, que ajeitou e finalizou em total liberdade. 2a2 no placar, para alegria da parcela rubro-negra presente nas arquibancadas.

Com Diego Maurício no lugar de Wanderley, o Flamengo nitidamente melhorou a movimentação pelo flanco esquerdo (pelo direito o jovem lateral Thiago Galhardo conseguia alguns momentos interessantes, na dura empreitada de substituir o lesionado Leonardo Moura). Numa dessas investidas, Diego Maurício passou pela marcação e, da proximidade da linha final, tocou atrás caprichosamente para Egídio. Se ele errou o domínio e a bola chegou num outro companheiro? Nada disso. O camisa 6 conseguiu ele próprio concluir o lance e fez isso muito bem, colocando a bola no canto esquerdo e o Flamengo na frente no placar.

Com o prejuízo no resultado e também no número de jogadores (Hélder foi expulso pelo segundo cartão amarelo após parar contra-ataque puxado por Bottinelli), o Bahia foi com a cara e a coragem buscar o gol de empate. E, com Jóbson decisivo, conseguiu reestabelecer a igualdade aos 44 minutos: o atacante que pertence ao Botafogo recebeu pela esquerda e soltou um chute rasteiro no canto direito, colocando a bola na rede e indo festejar, tirando a camisa e tudo.

No final, o Bahia deve ter sentido uma sensação de que poderia ter ganho o jogo caso não tivesse recuado tanto quando voltou do intervalo em vantagem no marcador. E o Flamengo, que poderia terminar a rodada no topo da tabela de classificação, deve lamentar não ter conseguido controlar a partida diante de um oponente com um homem a menos. São aqueles dois pontos que, no somatório final, podem acabar fazendo falta para seja lá o que for.

Outros resultados

Sábado

Botafogo 1a0 Santos
Avaí 1a3 Atlético MG
Internacional 0a1 Ceará

Domingo

Cruzeiro 1a1 Palmeiras
Corinthians 2a1 Coritiba
Atlético PR 0a1 Grêmio
Vasco 3a0 América MG
Atlético GO 0a1 Fluminense

domingo, 29 de maio de 2011

No Fim, Empate Vira Vitória Graças A Lucas

Duas equipes que estrearam com vitória na primeira rodada (o São Paulo vencendo o atual campeão Fluminense no Rio de Janeiro e o Figueirense vencendo o atual vice-campeão Cruzeiro em Santa Catarina) duelaram no Morumbi na noite de sábado. Foi uma partida bem disputada que, se por um lado não teve uma movimentação das mais empolgantes, por outro reservou algumas emoções, principalmente no segundo tempo.

Jogando com Dagoberto e Fernandinho pouco mais à frente de Lucas e Carlinhos Paraíba, o São Paulo saía para o jogo sem se expôr atrás, o que dificultava o plano alvinegro de contra-atacar. Como as tramas ofensivas são-paulinas eram geralmente previsíveis e a defesa seguia protegida, o placar de 0a0 persistir até o intervalo foi conseqüência natural.

No intervalo, Paulo César Carpeggiani promoveu uma dupla alteração: entraram Henrique Miranda e Rivaldo, saíram Juan e Fernandinho. E a entrada do ex-astro de Barcelona e seleção brasileira logo elevou a qualidade do passe tricolor, que passava a conservar mais e melhor a posse de bola. As chances apareceram em maior número, com o goleiro Wilson passando a participar ativamente da partida e a trave esquerda salvando por duas vezes a meta catarinense.

Pelo lado da equipe visitante, Jorginho buscou alternativas para fugir daquele cenário que se desenhava favorável aos donos da casa, que pareciam cada vez mais perto do gol. Saindo mais para o jogo e em alguns momentos sufocando a defesa tricolor, o Figueirense mostrava que tinha condições de sair do Morumbi com algo melhor do que um empate. Mas acabou vendo o talento individual de Lucas fazer a diferença nos instantes finais da partida, mais precisamente no último lance antes do apito final: aos 47 minutos, o jovem meia (que não trato como promissor pois desde o Sul-Americano Sub-20 já o vejo como realidade) pegou a bola fora da área, arrumou pro chute e mandou firme uma bola que ainda foi desviada por Wilson antes de entrar no canto esquerdo.

Não foi uma grande atuação dos comandados de Carpeggiani - como o próprio Lucas reconheceu em entrevista pós-jogo - mas a vitória que leva o Tricolor Paulista aos 6 pontos em duas rodadas ratifica que a equipe, que vivia ambiente pra lá de turbulento, parece focada nesse novo campeonato que se inicia. Rivaldo, que não jogava 45 minutos há algum tempo (tempo demais para alguém de sua qualidade técnica), explicitou alegria ao deixar o campo, mostrando-se contente com sua participação. Torço para que Carpeggiani possa fazer maior uso desse atleta fantástico. Aliás, um time que conta com o talento de uma dupla como Lucas e Rivaldo tem meio caminho andado para o sucesso.

Outros jogos

Botafogo 1a0 Santos

Enfrentando um time de reservas, o Botafogo recuperou-se da derrota para o Palmeiras na estréia e conseguiu seus primeiros pontos na competição. O solitário gol do jogo saiu após cobrança de escanteio de Éverton com participação da dupla de zagueiros - Antônio Carlos desviou e Fábio Ferreira escorou com bonito chute. O Santos, que estreara com empate diante do Internacional, segue priorizando a Copa Libertadores da América.

Internacional 0a1 Ceará

Após não conseguir mais do que um empate com um time de reservas do Santos na rodada inaugural, o Internacional tropeçou dessa vez dentro de casa. Iarley, ex-Inter, marcou o gol da vitória visitante, somando os primeiros pontos de um time que, na estréia, usou reservas e perdeu para o Vasco. Nada como uma vitória para refazer-se da eliminação na Copa do Brasil e seguir em frente na temporada.

Avaí 1a3 Atlético MG

Após estrear levando uma sapecada de 4a0 do Flamengo e ser eliminado da Copa do Brasil pelo Vasco da Gama com derrota no estádio da Ressacada, o Avaí segue um mau momento na temporada. A equipe até saiu na frente, mas levou a virada em 3 gols de jogadas de escanteio. Melhor para o Atlético Mineiro, que chega aos seis pontos ganhos (havia estreado goleando o Atlético Paranaense por 3a0).

A 2ª rodada se completa nesse domingo com os demais 7 jogos.

Uma História Que Se Escreve Em Azul E Grená

Não sei nem por onde começar. É bom escrever sobre o Barcelona. Tentemos - apenas tentemos - descrever mais ou menos o que foi essa final de Liga dos Campeões da Europa 2010-1.

O time que encanta em qualquer território por onde passa desembarcou em Wembley e proporcionou aos amantes do futebol bem jogado mais um espetáculo. O adversário não era um time qualquer, mas o Manchester United, invicto na competição continental e, a exemplo dos barcelonistas, buscando o tetracampeonato europeu. E foi bacana a exibição dos comandados de Alex Ferguson: partindo para o ataque, o time impunha um ritmo veloz na tentativa de superar o bloqueio catalão, muito bem postado mesmo com o desfalque de Carles Puyol (o francês Eric Abidal, figura heróica e emblemática na decisão e na temporada, atuou como titular).

O entrosamento de Wayne Rooney com o mexicano Javier "Chicharito" Hernández causava dificuldades à dupla de zaga composta por Gerard Piqué Bernabéu e pelo argentino Javier Alejandro Mascherano, que mesmo assim raramente se deixavam ser envolvidos. Quando eventualmente ocorresse um vacilo qualquer dos defensores, o goleiro Victor Valdés mostrava prontidão para intervir e afastar o perigo.

Crescendo na partida e começando a mostrar quem é que manda quando o assunto é posse de bola (aliás, Barcelona e Manchester foram os times que mais tiveram a bola consigo ao longo da competição), os comandados de Josep "Pep" Guardiola foram chegando ao ataque através de um toque de bola altamente característico dessa fantástica equipe. Aos 15 minutos, David Villa abriu para Xavi Hernández na direita e o capitão cruzou rasteiro acionando Pedro Rodríguez, que se antecipou à marcação e finalizou à esquerda. Aos 19 quem deu o remate foi Villa, que pouco antes da meia-lua mandou a bola perto da trave esquerda. No minuto seguinte Villa acertou a pontaria, mas não colocou a força necessária para superar o goleiro holandês Edwin van der Sar, em sua partida de despedida no futebol profissional (já deixa saudades, que beleza de arqueiro!).

A arte já estava reinando pelo gramado de Wembley, ritmo da partida era agradável mas faltava o gol. Faltava. Aos 27 minutos, Xavi deu belo passe de trivela encontrando Pedro e o atacante foi certeiro na seqüência do lance, chutando rasteiro e abrindo o placar na Inglaterra, para delírio de uma torcida que fazia parecer que o jogo ocorria na Catalunha.

Mas o Manchester também tinha os seus recursos, e contou com suas duas figuras mais determinantes para empatar a partida: após tabelinha ligeira entre Rooney e Giggs, o "Shrek" finalizou o lance com um chute muito bem colocado no canto direito. Cabe dizer que havia impedimento no lance, não flagrado pela arbitragem.

O jogo rumou para o intervalo com o Barcelona tendo mais a bola mas somente conseguindo por mais uma vez chegar perto do desempate: aos 43 minutos, o genial argentino Lionel Messi escapou do sérvio Nemanja Vidic com uma caneta arrebatadora, abriu com Villa na direita e quase conseguiu completar quando o atacante camisa 7 buscou a devolução.

Ambos os times voltaram idênticos para o segundo tempo, tanto na formação quanto na busca pelo gol. Diz um ditado que "quem procura, acha". E quem tem Messi, acha mais ainda: aos oito minutos, o melhor jogador da atualidade recebeu passe de Andrés Iniesta e, de fora da área, chutou com firmeza. Não foi um chute no canto, mas direcionado da maneira exata para que a bola não batesse em Vidic e não fosse alcançada por van der Sar. 2a1 no placar, o primeiro gol de Messi em solo inglês.

Os espaços apareciam cada vez mais, proporcionando ao Barcelona melhores condições de trabalhar a bola e a Lionel Messi melhores condições de mostrar o seu talento aparentemente sem fim. Aos 16, Messi parou em defesa de van der Sar. Aos 19, quase marcou de calcanhar. E aos 23, após atrair a marcação fazendo fila em quem quisesse tirar a bola do craque, um bate-rebate sobrou para David Villa. E dali mesmo, da meia-lua, a bola chutada por Villa foi para a gaveta esquerda. Golaço. Isso tudo pouco depois de Ferguson trocar o brasileiro Fábio (lesionado) pelo português Nani, numa espécie de "não digam que não tentei".

Tentou novamente aos 31 minutos colocando o experiente Paul Scholes no lugar de Michael Carrick. Porém, sem efeito. Também pudera: o Barça seguia desfilando todo o seu talento e fazendo parecer que o United era uma "equipe comum", facilmente colocada na roda. E no carrossel de Guardiola cabia mais gente pra participar do baile: entraram o malinês Seydou Keita, além de Puyol e do holandês Ibrahim Afellay. De resto, foi esperar o apito final do árbitro húngaro Viktor Kassai, que veio logo após um chute longo de van der Sar. Atrevo-me a dizer que nesse sábado, 28 de maio de 2011, o futebol dormiu feliz. E acordará melhor ainda: o título da mais cobiçada competição clubística européia não poderia ter parado em melhores mãos. Literalmente, pois quem levantou a taça de campeão com a braçadeira de capitão foi ele, Eric Abidal. O desfecho perfeito para um time perfeito. E, se o Barcelona é mais que um clube, essa conquista foi mais que um título. Foi um marco para o futebol mundial: o de que arte e resultado andam juntos, em plena harmonia. E dessa união só pode surgir alegria.
São muitas imagens para se recordar. Nessas duas que encerram a postagem, Josep Guardiola é saudado pelo elenco e Eric Abidal ergue o caneco da Liga dos Campeões. Personagens que por talento e superação estão eternizados na história do futebol mundial.
Parabéns e obrigado, Barcelona!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Barcelona, Manchester E A Busca Comum: O Tetra


Respeitável público boleiro, aproxima-se o dia 28 de maio de 2011, data da final da Liga dos Campeões da Europa. A tão aguardada partida a ser disputada em Wembley coloca frente a frente os atuais campeões espanhol e inglês, que venceram suas ligas nacionais sem deixar dúvidas de seus méritos.

Embora o momento seja de focar no mais cobiçado torneio europeu, considero interessante relembrarmos como Manchester United e Barcelona faturaram o Inglês e o Espanhol nessa presente temporada.

Começando pelo Manchester, a equipe comandada pelo escocês Alex Ferguson conseguiu a respeitável marca de somar somente quatro derrotas nas 38 rodadas disputadas (para se ter uma idéia, as outras equipes que menos vezes perderam foram Arsenal e Tottenham, com oito derrotas cada). Os times que conseguiram a façanha de superarem o United na "Premiership" foram Wolverhampton, Chelsea, Liverpool e Arsenal.

Já o Barcelona fez ainda melhor que o rival do próximo sábado: não apenas conquistou a liga espanhola como, mais do que isso, segue encantando o mundo ao conservar um estilo de jogo que está levando para a eternidade, sob a batuta de Josep Guardiola, o jeito barcelonista de se praticar o futebol. É bem verdade que a bipolarizada liga espanhola não tem a mesma força do campeonato inglês, mas tudo o que é apresentado pelo "Blaugrana" na Espanha e na Europa não deixa dúvidas de que esse time entra em qualquer competição para encantar e para ser campeão.

Na Liga dos Campeões da Europa, Manchester United e Barcelona lideraram suas chaves na fase de grupos: tanto o United (com Valência, Rangers e Bursaspor no grupo C) quanto o Barça (com Copenhagen, Rubin Kazan e Panathinaikos no grupo D) somaram 4 vitórias e 2 empates.

Na fase oitavas-de-final, o Barcelona fez com o Arsenal o que os amantes do futebol arte podem considerar a final antecipada da competição. Após perder por 2a1 em Londres, o Barça arrancou para a fase seguinte com triunfo por 3a1 dentro de casa. Já o Manchester eliminou o Olympique de Marselha após empatar sem gol na França e vencer dentro de casa por 2a1.

Nas quartas, foi a vez de o United ter um oponente mais complicado pela frente: com vitórias por 1a0 em Stamford Bridge e por 2a1 em Old Trafford, a equipe passou pelo Chelsea. Enquanto isso, o Barcelona passava pelo Shakhtar Donetsk com um agregado de 6a1 (5a1 no Camp Nou e 1a0 na casa do adversário).

Veio a fase semifinal e com ela o aguardado encontro entre Barcelona e Real Madrid. Praticamente sem dar chances ao retrancado adversário, o Barcelona triunfou por 2a0 em pleno estádio Santiago Bernabéu e confirmou a vaga na final com um empate por 1a1 na Catalunha. O Manchester tinha bem menos trabalho para passar pelo surpreendente Schalke 04, repetindo o 6a1 no agregado que o Barça conquistara na fase anterior (2a0 em Gelsenkirchen e 4a1 em Manchester).

Então é chegada a hora de colocar dois gigantes do planeta bola no mesmo terreno. E que terreno! O palco será a lendária Wembley, que testemunhará a consagração de um tetracampeão europeu na noite de sábado. Quem viver, verá.

Prováveis escalações para a partida

Barcelona: Valdés; Daniel Alves, Piqué, Mascherano e Puyol; Busquets, Xavi, Iniesta e Messi; Pedro e Villa. Guardiola.

Manchester: Van der Sar; Fábio, Ferdinand, Vidic e Evra; Carrick, Valência, Ji-Sung e Giggs; Rooney e Hernández. Ferguson.

Superior, Vasco Vence Avaí Na Ressacada E Está Na Final

Jogando uma boa partida em todos os setores, o Vasco da Gama venceu o Avaí em pleno estádio da Ressacada, em Florianópolis, e garantiu sua 2ª presença na final da Copa do Brasil. Diante do Coritiba, o Cruzmaltino tentará um desfecho diferente da edição de 2006, quando foi derrotado pelo Flamengo e amargou o vice-campeonato.

O jogo

Desde o início de partida, o Clube da Colina mostrou não se intimidar com a presença maciça dos torcedores catarinenses (apesar de muitos vascaínos serem vistos nas arquibancadas, a maioria era, naturalmente, avaiana). O gol inaugural saiu aos 3 minutos: Felipe cobrou falta pela direita colocando a bola com efeito no miolo da área, Diego Souza foi disputar pelo alto mas quem cabeceou para a rede foi o zagueiro Révson, marcando contra.

Difícil saber se aquele gol foi um golpe sentido pelos donos da casa dentro de campo, mas entre os torcedores era perceptível que o revés abateu os adeptos alvi-celestes. O fato é que o Vasco seguia melhor e criou muitas chances para ampliar a vantagem. Com chutes conciliando força e precisão, as finalizações vascaínas convidaram o goleiro Renan para trabalhar e logo se transformar no destaque da equipe mandante.

Com menos de meia hora de jogo, Silas realizou sua primeira substituição, trazendo o atacante Rafael Coelho (ex-Vasco) para o lugar do volante Acleisson (que cometia muitas faltas e pouco acrescentava quando com a posse de bola). Fazendo justiça ao amplo volume de jogo, o Vasco chegou ao 2º gol aos 34 minutos: Alecsandro, costumeiro finalizador, agiu como garçom e serviu Diego Souza, que com um toque categórico tirou de Renan e encaminhou a bola para dentro.

O Avaí até teve uma chance interessante de diminuir o prejuízo ainda na etapa inicial, mas a bola chutada por Julinho pelo lado esquerdo foi parar na trave esquerda. Foi somente após o intervalo que o time da casa melhorou visivelmente no jogo, conseguindo freqüentar o campo ofensivo com um pouco mais de organização na construção de jogadas. Porém, o Vasco seguia perigoso: aos oito, Diego Souza recebeu pela direita, avançou escapando da marcação na base da técnica e da força física e, quando poderia ser esperado um passe procurando um companheiro, o meio-campista tratou de chutar direto e carimbar a trave esquerda.

Apesar de precisar de 3 gols para reverter a situação, o Avaí pouco conseguia produzir e ainda levava um sufoco quando o Vasco se mandava ao ataque: aos catorze minutos, Ramón chutou pelo lado esquerdo, Renan não conseguiu abafar e a bola foi parada novamente pela trave, dessa vez a direita. Uma das melhores empreitadas avaianas ocorreu aos 27 minutos, quando Marquinhos chutou perto do ângulo direito, mandando a bola na haste horizontal que fica atrás da trave, na altura do travessão.

A torcida vascaína já fazia a festa na capital catarinense, soltando gritos de "olé" e cânticos provocando o rival Flamengo (que não são publicáveis em áreas freqüentadas por crianças e adolescentes). E a vitória somente não virou goleada porque a arbitragem errou ao marcar impedimento de Alecsandro quando o atacante completava para a rede uma bola recebida em posição legal, em jogada iniciada magistralmente por Diego Souza, que aplicara lençol sensacional em Marcinho Guerreiro. Para delírio da galera, que passou a entoar "ah! Diego Souza!".

No pós-jogo, Felipe, que deixou o campo no segundo tempo dando lugar ao volante Jumar, desabafou perante as provocações do atacante adversário Willian, figura apagada em campo: 'ele disse que ia nos atropelar, acho que o carro dele enguiçou'.

Outro resultado

Coritiba 1a0 Ceará (1a0 no agregado)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Equipe E Jogada Da Semana

É reta final de temporada na Europa. E o Porto encerrou sua participação nas 3 competições que disputou da maneira mais fiel ao que foi a temporada portista como um todo: vencendo. Sábado, dia 14, um time misto foi ao estádio dos Barreiros e lá venceu o Marítimo por 2a0 (gols de Silvestre Varela e do brasileiro Walter, ex-Internacional), confirmando o título invicto numa campanha de 27 vitórias em 30 jornadas. Domingo, dia 22, a equipe e os adeptos gritaram mais uma vez "é campeão" após vencerem a Copa de Portugal com uma goleada de 6a2 pra cima do Vitória Guimarães (com direito a "hat-trick" do jovem colombiano James Rodríguez). Mas o momento mais festejado aconteceu entre um evento e outro: na quarta-feira, dia 18, os comandados de André Villas-Boas faturaram o título da Liga Europa após vencerem o Sporting Braga por 1a0 (gol do colombiano Falcao García, goleador da competição com históricos 17 tentos anotados nessa edição). E fim de papo: Tríplice Coroa para o Porto, "o dono" de Portugal. Vamos ver o que poderão, na próxima temporada, aprontar na Liga dos Campeões da Europa.

Jogada da semana

Saiu ontem, e foi o gol da vitória do Palmeiras por 1a0 sobre o Botafogo, na rodada inaugural do Campeonato Brasileiro 2011. O atacante Kléber Giacomance, vulgo "Gladiador" (que completava 100 jogos com a camisa palmeirense), recebeu um passe lateral de Márcio Araújo, fez o domínio, cortou a marcação de Lucas Zen com a perna direita e, com a esquerda, chutou firme no ângulo direito. De tão simples e eficiente, chegou a ser bonito. Não assistiu o jogo? Então não perdeu nada. Mas o golaço de Kléber merece uma conferida.

domingo, 22 de maio de 2011

Palmeiras Vence Botafogo Em Jogo Fraquíssimo

É bem verdade que Marcos e Jéfferson apareceram bem (o goleiro alviverde realizou grande defesa indo buscar a bola perto do ângulo esquerdo após chute de Marcelo Mattos enquanto o alvinegro conseguiu pelo menos 3 defesas difíceis), mas o saldo do jogo entre Palmeiras e Botafogo foi pra lá de negativo. Salvam-se [1] a precisão de Marcos Assunção (que ratificou o seu talento nos lances de bola parada), [2] o golaço de Kléber (que fez tudo certo na jogada, sobretudo a irretocável finalização) e [3] a disposição apresentada por ambos os conjuntos. Mas em termos de toque de bola, jogadas de ultrapassagem, tabelas, enfim, algo pouco mais elaborado, nesse quesito tanto palmeirenses quanto botafoguenses tiveram atuação indigna de primeira divisão.

O jogo

Disposição foi a palavra de ordem para resumir o 1º tempo e a partida como um todo em São José do Rio Preto. Às vezes, o excesso dela acabou gerando faltas e cartões amarelos (casos de Thiago Heleno, Kléber, Lucas e Marcelo Mattos). Marcos Assunção cobrou uma vez na cabeça de Thiago Heleno (que quase abriu o placar, mandando a bola perto do travessão) e outras vezes diretamente para o gol, parando ou no travessão ou na interceptação de Jéfferson. Maicosuel também chegou perto de abrir o placar via bola parada, mandando uma bola alta que descaiu perigosamente atrás de Marcos. Mas a melhor chance alvinegra, embora em chute de fora da área, foi com bola rolando: aos 21 minutos, Marcelo Mattos arriscou e a bola tinha o endereço do ângulo esquerdo, mas Marcos evitou que ela entrasse. O Palmeiras chegou perto aos 42 minutos, quando Luan surgiu cara-a-cara com Jéfferson e o goleiro botafoguense atuou brilhantemente para colocar o braço direito na bola. Era muito pouco para os primeiros 45 minutos de dois times com as grandezas de Palmeiras e Botafogo. Talvez consciente disso, o Botafogo veio ligeiramente diferente para os 45 minutos finais: o meia Cidinho entrou no lugar do ala Lucas. Mas nem essa mexida nem a seguinte (Thiago Galhardo por Bruno Tiago) foram capazes de dar uma cara tão diferente ao Botafogo. Pelo lado palmeirense, Patrik entrou no lugar de Tinga. Só que o gol da vitória não se deu exatamente por causa dessa alteração, mas sobretudo pelo talento individual de Kléber. Completando 100 jogos com a camisa do clube, o "Gladiador" recebeu a bola (que considero poder ter sido interceptada por Antônio Carlos, vacilante no lance), cortou com tranqüilidade a marcação de Lucas Zen e chutou com força, fora de alcance para Jéfferson ou quem quer que estivesse posicionado para defender aquele remate certeiro. Golaço.

Do momento do 1a0 em diante, o Palmeiras de Scolari administrou o jogo minimizando os riscos de ceder o empate, optando por cadenciar ainda mais uma partida que já não era das mais movimentadas. Sem poder de criação (embora com 3 jogadores de armação em campo) e distante da área adversária, o Botafogo de Caio Júnior ainda tentou com a entrada de Alex (Marcelo Mattos saiu) dar alguma companhia para o solitário centroavante xará do treinador. Mas de que adianta ter ou não ter um parceiro no ataque se a bola não chega? Parece que as cinco semanas de treinos em General Severiano não foi tão bem usufruída quanto os alvinegros gostariam. Ou então, essa exibição de estréia foi um grande alarme falso. Aposto que nem os palmeirenses se empolgaram.

Outros resultados

Sábado

Flamengo 4a0 Avaí
Atlético MG 3a0 Atlético PR
Ceará 1a3 Vasco
Santos 1a1 Internacional

Domingo

Coritiba 0a1 Atlético GO
Figueirense 1a0 Cruzeiro
Grêmio 1a2 Corinthians
Fluminense 0a2 São Paulo
América MG 2a1 Bahia

sábado, 21 de maio de 2011

Brasileirão 2011, Será Dada A Largada

Faltam poucos minutos. Ainda hoje, às 18:30h, 3 jogos darão início ao campeonato mais disputado do mundo. Quando a bola rolar para Flamengo x Avaí, Ceará x Vasco e AtléticoMG x AtléticoPR, corações de 20 torcidas já começam a balançar. Será a 41ª edição do Campeonato Brasileiro, a 9ª na forma de pontos corridos. E por que esse campeonato é tão especial e diferente dos outros pelo mundo? Provavelmente em nenhum lugar do nosso planeta há um equilíbrio tão grande entre as equipes. Fato é que devido as dimensões continentais do nosso país, os campeonatos de nível estadual foram preferidos por muito tempo, apenas a partir de 1959 começaram competições constantes a nível nacional, data esta muito recente se comparada a outros países futebolísticos que chegam a ter torneios datados de 1890. Quando se iniciou no Brasil a corrida por um titulo BRASILEIRO já tínhamos inúmeros gigantes estaduais, o que se refletiria dentro de campo, fazendo com que o Brasil ganhasse uma verdadeira copa dos campeões, com um número enorme de times já grandes em seus estados. E essas equipes apenas confirmaram sua grandeza ao de maneira equilibrada irem adquirindo suas conquistas.
É com esse mesmo equilíbrio que inciamos mais um Brasileiro, embora duas ou três equipes são apontadas com favoritas pelos jornalistas, o que veremos em campo é uma decisão jogo-a-jogo.

E aqui vai na opinião do blogueiro uma análise dos 20 times da série A:

AméricaMG: Depois de muito tempo sem disputar a série A, e com passagens na série C, o Coelho retorna à primeira divisão, e provavelmente, retorna pra cair, é de todas as 20 equipes a mais desacreditada da competição. Irá apostar na experiência do seu time e no trabalho a longo prazo do técnico Mauro Fernandes, que é o treinador de um clube de série A há mais tempo no trabalho. A surpresa positiva deve ser Fábio Junior, que fez um excelente campeonato mineiro e planeia uma marca de 20 gols neste brasileiro. Além da própria dificuldade da competição, a equipe deve encontrar juízes que desfavorecerão o time. Nos resta aguardar a saga do Tricolor Mineiro.

AtléticoGO:
Foi por pouco que não caiu ano passado, se salvou de maneira heróica na última rodada após empatar com o Vitória em plena Salvador. Outro que junto com América deve brigar na ponta de baixo.

Atl
éticoPR: O Furacão é referência de? Boa administração, sempre o vemos com clube que arrecada bem, mas em campo, fica devendo. O imaginário futebolístico no Brasil é um título a qualquer custo. E esse clube do Paraná mostra como é possível equilibrar bem uma equipe, trabalho este já recompensado com uma conquista brasileira em 2001 e um vice em 2004. É bom lembrar que o time rubronegro é umas das equipes com mais tempo contínuo de série A, mesmo sem ter a banca de um Vasco, Palmeiras, Grêmio. Sempre incomoda, mas nesse ano deve brigar por Sulamericana.

AtléticoMG: Fez um bom mineiro e tem um bom técnico. Aposta na juventude da sua base. Sua últimas temporadas foram de dar medo ao torcedor, e esta não deve ser diferente. Não briga na parte de baixo da tabela diretamente, deve aparecer na zona da Sulamericana durante todo o campeonato.

Avaí: No catarinense não fez o que se esperava, acabou nem disputando a final. Mas na copa do Brasil tem mostrado sua força. O time costuma render com Silas, que em 2009 levou a equipe à 6ª posição. Suas boas partidas contra Botafogo, Vasco e São Paulo na copa do Brasil o crendeciaram a time combativo. Na opinião do blogueiro vai perigar na parte de baixo, mas acaba com um vaga na Sulamericana.

Bahia: Um dos times mais tradicionais do Brasil está de volta à primeira divisão (o Tricolor Baiano foi o primeiro time brasileiro a disputar uma Libertadores). Mas a disputa dessa competição está muito distante a equipe, que é forte candidata ao rebaixamento, e se escapar, não passa de uma 15ª colocação.

Botafogo: Vou relevar um medo enorme desse blogueiro: o futuro desse time. Ano passado fez uma boa campanha, mas não é visto na crítica com essa capacidade de repetir isso. A mudança de técnico e as constantes más administrações podem interferir no campo também. Na minha opinião, tem time pra lutar contra o reibaxamento e só. Nem mesmo Maicosuel em excelente fase pode reverter isso. Saga complicada a vida de um botafoguense que sonha com dias melhores.

Ceará: O time nordestino vem embalado pela boa campanha na copa do Brasil, respeito do resto do país, mas também entrará no campeonato desacreditado. Não acredito em rebaixamento, mas por pouco. Deverá figurá no meio da tabela.

Corinthians: Na opinião desse caro blogueiro é candidato ao titulo, desde a primeira rodada. Está montando um bom time, tem um candidato sério a artilheiro - o Liédson -, conta com a ajuda da fanática torcida, "dos juízes", e deve brigar constantemente na parte de cima da tabela.

Coritiba: Acho que nunca vi um começo de temporada tão bom como esse do Coxa Branca, que tem tudo pra fazer um excelente Brasileirão. É claro que seu resultado na copa do Brasil deve interferir diretamente, pois caso o time seja campeão, deverá figurar no meio da tabela, mas tem futebol para, no mínimo, um G6.

Cruzeiro: Tenho visto quase toda a crítica colocar os mineiros junto com o Santos ao favoritismo do campeonato. A raposa vai jogar a competição focada apenas no titulo desde essa primeira rodada. Na contra-mão, vem o fato que mesmo sendo considerada favorita nas últimas 5 edições, fez apenas boas campanhas, e a verdade é que desde 2003 não ganha nada. Resta esperar que esse excelente trabalho a longo prazo do time celeste seja coroado em 2011. De fato é candidato favorito, deve figurar sempre no G4.

Figueirense: Mais um sério candidato a rebaixamento. Fez uma temporada abaixo da crítica no Catarinense e deve fazer outra no Brasileiro.

Flamengo: O time da maior torcida do Brasil ganhou um carioca invicto, levou Thiago Neves a seleção, mas parece que nem isso faz os jornalistas o considerarem candidato ao titulo. Se se reforçar principalmente no ataque pode fazer um belíssimo campeonato, disputando rodada-a-rodada o título. Na minha opinião, entra como favorito a no mínimo Libertadores.

Fluminense: O Tricolor Carioca vem embalado pelo titulo, por jogadores como Fred - que deve brigar pela artilharia. Conta com a maestria do camisa 10 Conca. Tal como seu rival Flamengo em 2010, chega desacreditado no Brasileiro mesmo sendo o atual campeão. Mas é exatamente esse o perigo da coisa, desacreditar do Tricolor. Se fosse matemático diria que o Flu tem 2% de chances de ganhar esse campeonato. E é aí que mora meu medo.

Grêmio: Não tem mais o Jonas do ano passado, e sofre pra encontrar candidatos a artilheiros. Tem time e camisa pra fazer uma boa temporada. Mas como esse campeonato pesa pelo equilíbrio, o Grêmio sai um pouco atrás. Na minha opinião figura entre o G10 chegando a ameaçar o G4, mas seu lugar é o G10.

Internacional: Vem escrevendo uma belíssima história no continente e no mundo ao longo dos últimos 6 anos. Mas no Brasil anda sempre batendo na trave e na arbitragem. Como todo campeonato, é favorito de cara, pelo elenco de alto nível. Na opinião do blogueiro disputa o título rodada a rodada.

Palmeiras: Nem Felipão, nem Kléber, nem Valdivía. O Palmeiras não tem time pra nada acima de um G6. Se quiser ganhar alguma coisa, que se prepare pra jogar bem a Sulamericana. E só.

Santos: Sem dúvida, o melhor time do Brasil, os melhores jogadores, e time mais temido. Além de tudo, olhar pro banco é praticamente ter certeza de um titulo brasileiro. O Santos tem time pra no mímino um vice. O que pode atrapalhar a conquista nacional, é justamente a internacional. Estreia hoje com os reservas. E pode passar cada vez mais a menosprezar o Brasil a medida que o mundo pareça mais próximo. Mas mesmo seu time reserva impõe respeito. Favorito mor no Brasil.

São Paulo: Time tem, pra ser campeão. Luís Fabiano em campo qualifica muito o elenco não só ao caneco, mas como a artilharia, além do craque Lucas no meio. A desconfiança fica toda em cima do Professor Pardal P. C. Carpergiani. Se jogar bola como sabe, o Tricolor luta lá em cima.

Vasco: Joga todas sua fichas na copa do Brasil, no Brasileiro o credencio a ser coadjuvante. Deve, no máximo, alcançar a Sulamericana.

Opinião Final: Nada disso entra em campo. Jogo é jogo. E que venha o Brasileirão. O Jogada de (E)feito aguarda ansioso pela competição, da qual falaremos muito, e acima de tudo torceremos todos. Hoje será dada apenas a largada.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Massimiliano Allegri: O Muricy Ramalho Italiano?

Vai terminando o Campeonato Italiano e iniciando o Brasileiro. O Jogada de (E)feito acompanhou o Calcio nessa temporada e também pretende seguir de perto os acontecimentos na Série A nacional. Mas o presente tópico não busca fazer uma abordagem resumindo o que aconteceu nessa temporada na Itália nem tampouco traçar expectativas para o que pode ocorrer até dezembro por essas terras tropicais. Vamos, isto sim, nos utilizar de dois personagens vencedores nas ligas domésticas desses que são os dois países mais vezes campeões de Copas do Mundo.

Massimiliano Allegri assumiu o Milan nessa temporada após uma passagem pelo Cagliari (passagem essa que não posso dar pormenores, pois não assisti um único jogo da equipe quando comandada por Allegri). O saldo de sua temporada inaugural em Milão inclui um "scudetto", uma presença na fase semifinal na Copa da Itália e uma presença na fase oitavas-de-final na Liga dos Campeões da Europa.

Muricy Ramalho, atualmente no Santos, começou o ano de 2011 no Fluminense (onde foi campeão nacional em 2010) e abandonou a equipe alegando "problemas estruturais", que vieram à tona quando o Tricolor das Laranjeiras vinha mal das pernas tanto no Campeonato Estadual do Rio de Janeiro quanto na Copa Libertadores da América.

Mais do que terem nomes iniciados pela mesma letra, Massimiliano e Muricy têm em comum um certo gosto (o qual não compartilho) por montar equipes de caráter defensivo, com enfoque na marcação em detrimento de jogadas mais elaboradas quando com a posse de bola. Foi com um futebol burocrático e feio para os olhos de quem vê que o Milan faturou o título italiano. Algo não muito diferente das conquistas de Muricy Ramalho, que nesse ano corre atrás de seu 5º título nacional e de uma inédita conquista continental (o Santos está na fase semifinal).

Muitos poderiam argumentar que, se as conquistas aparecem, então é sinal de que o trabalho está sendo bem feito. Creio que não seja esse o ponto para discussão, até porque não há muito o que discordar naquela premissa. A questão é: se há um material humano de qualidade em mãos, por que não fazer o time jogar de forma bonita e envolvente para buscar as vitórias e os conseqüentes títulos?

O Milan sofreu com baixas de jogadores ao longo do ano (Filippo Inzaghi e Andrea Pirlo perderam praticamente toda a temporada lesionados, Alexandre Pato saía e retornava ao Departamento Médico, Zlatan Ibrahimovic era mais réu de tribunal do que jogador de futebol etc e tal). Mas digo aqui de forma convicta que era perfeitamente possível formar um time atraente com o elenco à disposição do treinador. Aliás, como em muitos momentos a equipe não podia contar com dois de seus atacantes, como explicar o fato de Antonio Cassano ser reserva num time onde jogavam Gennaro Gattuso, Massimo Ambrosini, Mathieu Flamini e Kevin-Prince Boateng? E se o Milan fizesse 1a0 num adversário mais fraco, Allegri logo se agitava para aumentar a marcação e a proteção à defesa. Defesa essa que conta com uma das duplas mais respeitáveis do mundo - Alessandro Nesta e Thiago Silva!

Muricy não fica muito atrás (no sentido de compará-lo com Massimiliano, pois os times de Muricy costumam ficar de fato muito atrás, com o perdão do trocadilho). Na Copa Libertadores da América, o Fluminense estreou dentro de casa diante do Argentinos Juniors. Empatando o jogo em 2a2 sem apresentar um bom futebol, era natural que o treinador fosse buscar alternativas para vencer a partida onde era mandante. Mas então, como explicar que na proximidade do final do jogo foi realizada uma alteração tirando o meia Souza para colocar o volante Valência? Medo de perder para um time que se limitava a sair para o jogo em esporádicos contra-ataques? Falta de opções não era, pois havia um atacante recém-contratado sentado no banco de reservas!

Estimados leitores, o convite que vos faço é claro e objetivo: não se iludam com resultados. Não é porque fulano é campeão disso ou daquilo que é necessariamente "bom técnico". Pode ser competente naquilo que se propõe a fazer, e isso é outro ponto. Mas o "bom técnico" costuma aparecer quando a equipe mais precisa, como por exemplo quando o time tem a opção de dilatar a vantagem no placar optando pela entrada de um jogador mais criativo, explorando os espaços que tendem a aparecer. Ou quando aquele jogo dentro de casa está empatado, o final se aproxima e o time tem o direito de realizar mais uma substituição.

Não serei insano de dizer que o Santos de Muricy e o Milan de Allegri não irão almejar títulos. De forma alguma, sobretudo analisando a força do plantel dessas equipes. Mas olhando exclusivamente para a mentalidade de seus treinadores, diria sem pestanejar que a melhor coisa para os elencos desses dois tradicionais clubes do futebol mundial seria procurar alguém que tivesse mais a ver com a rica história dessas instituições privilegiadas por um dia já terem contado com Pelé e van Basten, hoje contando com Neymar e Seedorf. Ou, de repente, seria melhor para Neymar e Seedorf procurar um lugar mais compatível com as suas aptidões técnicas e o pleno desenvolvimento de suas capacidades, independentemente de estarem iniciando ou finalizando a carreira. Creio que Santos e Milan sairiam perdendo.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Com Empurrão Da Torcida E Da Arbitragem, Vasco Empata Com Avaí

Vasco da Gama e Avaí fizeram na noite de ontem a partida de ida no duelo que vale vaga na final da Copa do Brasil 2011. E a equipe catarinense não se intimidou com o estádio São Januário lotado: os comandados de Silas portaram-se bem, saíram para o jogo e só não venceram a partida porque o time da casa buscou o empate através de pênalti polêmico aos 47 minutos do segundo tempo. Na partida de volta, a ser disputada na próxima quarta-feira no estádio Ressacada, o empate de 0a0 classifica os donos da casa.

O jogo

Os primeiros minutos foram no ritmo das arquibancadas - frenético. Com um minuto, Éder Luís recebeu pela direita, tocou para Alecsandro e o centroavante, já dentro da área, ajeitou rolando atrás para Diego Souza, que chutou firme tirando do goleiro Renan em lance onde a bola somente não entrou porque Marcinho Guerreiro impediu com um cabeceio no mais puro reflexo, praticamente embaixo da barra. Aos dez minutos foi a vez de Renan impedir o gol vascaíno após chute colocado de Felipe, espalmado brilhantemente pelo arqueiro.

Os avaianos foram equilibrando a partida, conseguindo conter o ímpeto cruzmaltino e também criar jogadas de ataque. Aos catorze, Julinho chutou e a bola passou perto do ângulo. A partida foi ficando cada vez mais igual no que tange ao meio-campo, fato que foi escasseando as oportunidades de gol para ambos os lados, levando a partida ao intervalo com a persistência do zero a zero.

A volta para o segundo tempo foi semelhante ao início de partida: Vasco no ataque. Aos oito minutos, Diego Souza soltou chute cruzado que passou pertinho da trave direita. Os donos da casa seguiam criando chance e contavam com o bom passe de Felipe para buscar uma brecha na defesa adversária. Mas os avaianos também se mandavam ao campo ofensivo e a partida ganhava em emoção com ambos os times chegando perto do gol. Com o placar longe de refletir a dinâmica de jogo, Julinho tratou de inaugurar o marcador aos 35 minutos: ele recebeu pela esquerda, cortou Allan trazendo pra perna direita e chutou cruzado, mandando no canto direito de um Fernando Prass que não conseguiu alcançar a bola.

Se o Vasco não se satisfazia antes, agora que perdia o jogo a equipe comandada por Ricardo Gomes se mandou de vez para o ataque. Uma das melhores jogadas vascaínas deu-se quando Diego Souza avançou pela direita escapando de 3 marcadores e, próximo à linha-de-fundo, cruzou para Élton, que deu uma canelada com a perna esquerda e mandou para fora. Fico pensando o que passava pela cabeça de Diego Souza naquele momento. Devia ser algo como: "faço tudo direito, cruzo certinho e o cara encarregado de finalizar o lance me faz um negócio feio desse". Mas o alento viria nos acréscimos, quando o árbitro Wilson Luiz Seneme - até então bem na partida - foi altamente generoso (para não dizer "caseiro") e apitou pênalti de Gustavo Bastos em Élton. Diego Souza pegou a bola e chutou forte, um pouco à direita do centro do gol, estufando a rede e indo comemorar efusivamente com as arquibancadas.

Outro resultado

Ceará 0a0 Coritiba

Dupla Colombiana Resolve Numa Jogada E Porto É Campeão Na Liga Europa

O Porto é o mais novo campeão da Liga Europa, conquistando o título continental com uma vitória por 1a0 sobre o também português Braga. Muito pode-se falar sobre uma decisão de campeonato, mas no caso dessa final não é necessário dar maiores pormenores, já que o lance do gol foi um retrato fiel daquilo que há de melhor na equipe portista para tentar traduzir o sucesso do time comandado por André Villas-Boas: jogada individual do ótimo Fredy Guarín e conclusão do goleador Falcao García, numa parceria colombiana que tem tudo para dar o que falar (também) na Copa América 2011. Foi o único remate portista no gol. E nem precisava de mais.

Foto posada dos onze iniciais que entraram em campo em Dublin: equipe portista caminha para a conquista da Tríplice Coroa nessa temporada.

O jogo (confira como foi a transmissão da partida em tempo real)

Se Villas-Boas, dito aprendiz de José Mourinho, tem os seus recursos para fazer funcionar um time campeão português invicto e que caminha para a Tríplice Coroa nessa temporada, o treinador Domingos Paciência também mostrou competência na estratégia proposta para essa partida em Dublin (capital irlandesa que estava com cara portuguesa). O Braga, flagrantemente inferior tecnicamente ao oponente, adotava um desenho tático que espelhava a formação portista, com 4 homens na defesa, 3 no meio e 3 mais à frente. E aos 3 minutos a equipe de Paciência ficou perto de abrir o placar no estádio Aviva: uma bola parcialmente afastada pela defesa portista foi recolocada na área e encontrou Custódio Miguel Dias de Castro em posição legal, livre de marcação. Mas a finalização do "herói" da semifinal foi para fora, passando à esquerda da meta defendida pelo aniversariante Hélton.

A resposta do Porto veio 3 minutos depois, aos 6: Hulk escapou pelo flanco direito utilizando-se de explosão, força física e alguma habilidade, limpou o lance e chutou cruzado mandando perto do ângulo direito. O Sporting Braga marcava no campo de defesa e saía com agilidade nos contra-ataques. Por pelo menos duas vezes, Paulo César foi acionado ficando no mano-a-mano com o zagueiro Rolando, que acabou levando a melhor em ambos os lances. Após adiantar a marcação um pouco mais, o Braga seguia dificultando o trabalho de saída de bola portista e passava a dar ao jogo uma variação de ritmo, ora cadenciando a posse, ora partindo com mais objetividade.

Mas faltava um talento individual ao time braguista, aquela figura que desse uma qualidade a mais na busca pelo gol. Esse elemento o Porto tem em seu elenco e atende pelo nome de Fredy Alejandro Guarín Vásquez, meio-campista colombiano de 24 anos de idade. Com boa visão de jogo, bom passe, atitude e mobilidade, o camisa 6 tratou de encaminhar as coisas a favor de seu time quando, aos 43 minutos, desceu pelo lado direito, cortou a marcação e cruzou (leia-se passou) caprichosamente para que o compatriota Falcao García fizesse aquilo que melhor sabe fazer: o gol. 1a0 Porto, em mais um cabeceio inapelável pro repertório do camisa 9, goleador isolado e absoluto da Liga Europa.
Falcao García cabeceia para marcar seu 17º gol na competição onde foi goleador soberano. Na partida de ida na semifinal, anotou 4 vezes e foi figura determinante.

Veio o intervalo e Domingo Paciência aproveitou para fazer uma dupla intervenção na equipe, tirando o defensor peruano Alberto Rodríguez para colocar o brasileiro Kaká e promovendo a entrada de mais um brasileiro - Márcio Mossoró - no lugar de Hugo Viana, que aparecia mais no jogo fazendo reclamações da arbitragem do que propriamente produzindo algo de interessante. E algo de interessante ocorreu no 1º minuto do 2º tempo, quando Mossoró quase abriu o placar: ele recuperou a posse de bola, avançou ficando cara-a-cara com Hélton, chutou cruzado e viu o goleiro evitar o gol através de uma defesaça com as pernas.

O Braga era valente e mostrava que as limitações técnicas podem ser minimizadas quando a determinação coletiva por um ideal comum é levada ao limite. Embora com poder de penetração reduzidíssimo, o time conseguia um domínio territorial a ponto de pressionar o Porto sem sequer permitir que o adversário saísse em contra-ataque. Aos 20 minutos, Paciência ainda colocou o camaronês Meyong Zé no lugar do brasileiro Lima, tentando dar nova dinâmica para o setor ofensivo. Mas faltava aquele elemento criativo, aquele jogador pra dar o passe diferenciado. Alan até se esforçava e em alguns momentos esboçava tratar-se desse atleta, mas não era o suficiente para transpôr a barreira portista. Villas-Boas resolveu então colocar o argentino Fernando Belluschi em campo. Nada contra a entrada aos 27 minutos, mas a saída de Guarín entendo como um equívoco, ainda mais se levarmos em consideração que àquela altura Silvestre Varela era figura sumida na partida. Pelo menos, seis minutos depois o treinador trocou Varela pelo colombiano James Rodríguez, jogador leve e insinuante.

O Braga necessitava de pelo menos um gol para que o jogo se estendesse à prorrogação, mas esbarrava nas próprias limitações. De quebra, Hélton mostrava "mil e uma utilidades": além de seguro embaixo das traves e da colaboração quando deixava a área para atuar como um líbero, o goleiro brasileiro ainda catimbou um bocado para fazer avançar o cronômetro e foi "premiado" com um cartão amarelo do árbitro espanhol Carlos Velasco Carballo (que atuou bem). A empreitada derradeira do Braga deu-se aos 48 minutos. Alan sofreu falta na altura do meio-campo e o time se mandou pra área, incluindo o goleiro Artur. Cobrança realizada e a bola viajou até o camisa 1, que cabeceou à esquerda no último lance antes do apito final.

Foi o segundo título do Porto na Liga Europa (antiga Copa da UEFA) e os mais supersticiosos devem estar em êxtase: na outra vez em que faturou a competição, na temporada seguinte o clube conquistou a Liga dos Campeões da Europa. Será que o feito pode se repetir? Vamos aguardar. Mas o trabalho de Villas-Boas, mais jovem campeão europeu de todos os tempos (está com 33 anos de idade), parece que vai sendo registrado na história futebolística com tinta permanente.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Equipe E Jogada Da Semana

"Esperei por tanto tempo. Esse tempo agora acabou". Nada por acaso estar tocando exatamente essa música ("Sou Dela", de Nando Reis) enquanto digito um tópico sobre equipe da semana em homenagem ao recém-campeão da Copa da Inglaterra, o Manchester City. Após mais de 4 décadas aguardando, o "ex-primo pobre" da cidade de Manchester levantou o caneco de campeão da "FA Cup" nessa temporada após vitória por 1a0 sobre o Stoke City, sábado, gol do marfinense Yaya Touré. Antes disso, na terça-feira passada, os comandados do italiano Roberto Mancini festejaram algo de semelhante grandeza: com uma vitória por 1a0 sobre o Tottenham, os Citizens garantiram o retorno à Liga dos Campeões da Europa, coisa que para essa atual geração de torcedores é uma novidade. Não precisa mais esperar, chegou a vez do Manchester City.

Jogada da semana

Arena de Amsterdã, última rodada da "Eredivisie", Ajax e Twente em campo. Duas equipes que haviam acabado de decidir a Copa da Holanda (triunfo do Twente na prorrogação, 3a2). Duas equipes que disputavam o título do Campeonato Holandês (o Twente seria campeão em caso de empate). Mas o Ajax contava com sua torcida, com sua camisa, com seu talento e tratou de colocar fim na espera por um novo título no mais importante torneio nacional, vencendo por 3a1. O primeiro gol foi esse aí, de Siem de Jong, aproveitando com classe o cruzamento certeiro de Gregory van der Wiel. Por sinal, classe parece ser algo que não falta a de Jong. Quem se interessar, veja também com foi o último gol do Ajax e da partida, marcado novamente por ele.

domingo, 15 de maio de 2011

Parceria Cuca-Cruzeiro Conquista Título Mineiro

Ficou em boas mãos o título estadual de Minas Gerais 2011. Detentor de uma campanha vitoriosa - recheada de goleadas - e exibidor de um futebol elogiado dentro e fora do território mineiro, o Cruzeiro Esporte Clube sagrou-se campeão estadual pela 36ª vez na história após vencer o Atlético por 2a0 num estádio Arena do Jacaré absolutamente tomado pela torcida cruzeirense. O merecido triunfo dá um certo alívio na dor pela surpreendente eliminação na fase oitavas-de-final da Copa Libertadores e renova as esperanças para o que pode ser um ótimo Campeonato Brasileiro aos comandados de Cuca, atuais vice-campeões da competição.

O jogo

Abrindo mão de laterais de origem e escalando um time com boa saída de bola, Cuca convidou sua equipe a fazer aquilo que é marca registrada desse excelente técnico: atacar o adversário. Mesmo desfalcado pelo suspenso Montillo (expulso de maneira polêmica no jogo de ida), o setor de criação cruzeirense dava conta do recado com as boas participações de Gilberto e Roger, além das movimentações de Wallyson e Thiago Ribeiro, fomando um quarteto ofensivo que por diversas vezes envolveu a defesa atleticana. Serve de exemplo um lance aos dois minutos de partida: Gil recuperou a posse de bola e iniciou o contra-ataque tocando para Gilberto. O jogador passou para Thiago Ribeiro, que deu para Wallyson. Na disputa no interior da área, Wallyson caiu e a bola foi recolhida por Thiago Ribeiro, que cruzou da esquerda mas ninguém surgiu para completar. Faltou citar o nome de Roger, né? Aos 22 minutos, Thiago Ribeiro alçou a bola da direita, Serginho não fez a interceptação, Roger acreditou no lance e completou, mas o goleiro Renan Ribeiro estava ligado e praticou a defesa.

A boa partida que faziam os "donos da casa" (entre aspas porque o campo em Sete Lagoas é de uso de ambos os clubes, mas nessa segunda partida decisiva o público de 17.384 pagantes era inteiramente alvi-celeste) era também por méritos defensivos, já que Leandro Guerreiro, Victorino e Gil conseguiam levar vantagem em grande parte dos lances em que eram exigidos. Este último merece destaque por uma participação aos 32 minutos, quando travou o atacante Magno Alves no momento exato para evitar que o remate seguisse em direção ao gol, comemorando a intervenção em favor de sua equipe. As escapadas do Atlético eram, basicamente, na velocidade de contra-ataques buscando Magno Alves, que ficava no limite da linha de impedimento e causava dificuldades ao auxiliar encarregado de acompanhar essas investidas atleticanas (inclusive cometendo pelo menos um erro ao marcar uma posição irregular quando esta era legal).

Dominado pelo adversário, Dorival Júnior decidiu trazer o Atlético modificado para o segundo tempo e realizou duas trocas de jogadores no intervalo: Renan Oliveira por Cláudio Leleu (que deu novo ânimo ao ataque alvinegro) e Mancini (inoperante e explicitando nervosismo) por Richarlyson. O Cruzeiro de Cuca retornou idêntico e seguia buscando o gol necessário para o título mineiro. Aos 11 minutos, Thiago Ribeiro rolou achando Roger na área e o meia chutou cruzado, mandando pertinho da trave direita. E com 13 minutos Dorival já gastaria sua última substituição: Guilherme Santos por Bernard.

Quando o relógio apontava 18 minutos no segundo tempo, o Cruzeiro, que já era ofensivo, ganhou mais um atacante com a entrada de André Dias no lugar de Éverton. Porém, quem levaria grande perigo seria o Galo: aos 21', Leandro Guerreiro presenteou Magno Alves ao sair jogando com um passe errado, o atacante avançou, chutou e Fábio conseguiu chegar na bola para defender, com dificuldades. Aos 24 minutos, André Dias teve grande chance de abrir o placar: recebeu de Thiago Ribeiro e chutou, mas sendo abafado pelo goleiro Renan Ribeiro. Por falar em goleiro, no minuto seguinte o cruzeirense Fábio teve participação sensacional: deixou a área para atuar como um líbero e não apenas fez a intervenção providencial como ainda driblou um adversário antes de sair jogando com a maior naturalidade.

Aos 27 minutos, Fabrício foi colocado no lugar de Henrique para aquela que era a segunda substituição de Cuca no jogo. O 0a0 não interessava ao Cruzeiro e por muito pouco a situação não ficou ainda pior para a Raposa: aos 28 minutos, Magno Alves foi novamente acionado numa daquelas enfiadas de bola entre os defensores cruzeirenses. Em posição legal e totalmente livre de marcação, Magno avançou, ficou de frente com Fábio, preparou o corte pro lado direito e... o goleiro cruzeirense agiu espetacularmente para desarmar o atacante com um tapa na bola. Anotem, naquele momento o Cruzeiro fazia 1a0 sem saber.

Então, na marca de 30 minutos no segundo tempo em Sete Lagoas, o placar foi finalmente inaugurado. Inaugurado pelo time que mais buscava o ataque. Inaugurado por um jogador que buscava o jogo e não poupava esforços de atuar pelo coletivo. Inaugurado pelo Cruzeiro. Inaugurado por Wallyson. Inaugurado em jogada onde o atacante recebeu pelo lado esquerdo, encarando e ao mesmo tempo escapando da marcação de Serginho até chutar rasteiro, na paralela, colocando a bola no canto direito. Estava inaugurada uma festa generalizada nas arquibancadas.

Com 33 minutos, Cuca realizou a última mexida: saiu Roger, que deixou o campo celebrando com companheiros e torcedores, e entrou o zagueiro Léo. O Cruzeiro recuava, certo? Errado. O Cruzeiro seguia buscando atacar o adversário. Aos 35 minutos, Wallyson só não marcou o 2º gol em chute firme e no alto pelo lado direito porque Renan Ribeiro fez grande defesa para escanteio. Aos 36 foi a vez de Leandro Guerreiro se apresentar no ataque e, perto da linha-de-fundo pelo lado direito, chutar ao gol e parar em nova espalmada de Renan.

Dos 40 minutos até o início dos acréscimos do áribtro Wilson Luiz Seneme, problemas na transmissão do sinal fizeram com que esse blogueiro ficasse sem notícias do que acontecia dentro das quatro linhas. Triste, né? Mas quem estava feliz da vida era o torcedor cruzeirense, principalmente o que acompanhava o jogo sem ser pelo PFC: é que, nesse meio-tempo, Gilberto cobraria falta para fazer 2a0 e decretar o título estadual. Foi aguardar o apito final (além, é claro, da volta do sinal) e ver a massa cruzeirense festejando o caneco. Antes disso, Roger ainda aprontou mais uma de suas estripulias: resolveu deixar o banco de suplentes e, com a camisa amarrada em punho e sacodida acima da cabeça, deu uma "volta olímpica antecipada" para festejar com a eufórica torcida que lotava as arquibancadas. Tudo bem, Roger. Dessa vez a sua conduta e a conseqüente expulsão não prejudicaram a equipe...
Elenco celebra erguendo o técnico Cuca às alturas: melhor futebol do Brasil conquista merecido título estadual e ratifica o grande trabalho do comandante.

Ajax Supera Twente Na Rodada Derradeira E É Campeão Holandês Pela 30ª Vez

Se alguém acredita em superstições como aquela dos "sete anos de azar", então o Ajax pode-se considerar liberto: após 7 anos sem ganhar a "Eredivisie" (a 1ª divisão holandesa), o tradicional clube da capital Amsterdã venceu o atual campeão Twente por 3a1 e, na última rodada da competição, assumiu a liderança para abraçar o troféu nacional. Aliás, o Campeonato Holandês 2010-1 é mais um torneio de pontos corridos que confirma como esse modelo de disputa é altamente emocionante: em plena rodada derradeira, o líder visitava o vice-líder num confronto direto pelo caneco, enquanto o 3º colocado PSV tentava a segunda vaga do país na próxima Liga dos Campeões da Europa (fracassando ao empatar fora de casa com o Groningen em 0a0).

O jogo

Logo no primeiro minuto, uma bola lançada encontrou o costa-riquenho Bryan Ruiz González e deixou o camisa 10 na cara do gol, mas o arqueiro Kenneth Vermeer atuou bem para bloquear a finalização. Imagina o que seria da partida caso o Twente abrisse o placar tão depressa!

Com uma torcida presente, vibrante e sedenta pelo título, o Ajax não tardou a circular a bola com qualidade e mostrar atributos ofensivos dignos de um time que pleiteia o título holandês. Pelo lado direito, Gregory van der Wiel marcava presença e alimentava o ataque com cruzamentos bem feitos. As aproximações de Demy de Zeeuw auxiliavam a criação de jogadas, que contava com o talento do dinamarquês Christian Eriksen para buscar qualquer brecha no sistema defensivo oponente. Siem de Jong já havia desperdiçado uma chance chutando por cima do travessão, mas aos 22 minutos não teve erro: o camisa 10 recebeu cruzamento certeiro de van der Wiel e escorou caprichosamente no contrapé do goleiro búlgaro Nikolay Mihailov. 1a0 Ajax e delírio na Arena de Amsterdã.

O Ajax seguiu melhor que o adversário, mas sem estabelecer uma pressão daquelas que justificasse crer que o placar deveria ser mais dilatado. Veio a segunda etapa e dois gols nos dois minutos iniciais agitaram a partida. No primeiro minuto, van der Wiew cruzou da direita e dessa vez a assistência acabou sendo para um golaço contra de Denny Landzaat, que cabeceou na própria rede. Mas antes que Landzaat pudesse se entregar às lamentações, o Twente diminuiu o prejuízo no minuto seguinte: Luuk de Jong colocou na área e Theo Janssen pegou bonito na bola para colocar no canto direito. Vermeer até estava bem posicionado, mas optou por fazer um "golpe de vista" e apenas assistiu a bola entrando.

O domínio territorial que o Ajax apresentara na etapa inicial já não era tão explícito naquele momento e o Twente buscava o empate que lhe daria o bicampeonato. Bryan Ruiz era figura acionada no ataque e dava uma canseira na defesa alvirrubra, mas sem conseguir finalizar. Com 21 minutos, Frank de Boer mexeu no time onde é ídolo: saiu o atacante sérvio Miralem Sulejmani e entrou o meio-campista camaronês Eyong Tarkang Enoh. O ex-goleiro belga Michel Georges Jean Ghislain Preud'homme (para alguns um dos maiores da história) trocou Landzaat pelo austríaco Marc Janko, centroavante de 1,96m e que aumentaria a presença de área da equipe visitante. Literalmente. Janko, aliás, fez o gol do título da Copa da Holanda no domingo passado, marcando 3a2 para o Twente sobre o próprio Ajax aos 12 minutos do segundo tempo da prorrogação.

De Boer voltou a mexer na equipe da casa aos 27 minutos, quando trocou um jogador da linha de defesa por outro - o jovem dinamarquês Nicolai Boilesen (de 19 anos) por Daley Blind (de 21). E lá na frente, a combinação da visão de jogo de Eriksen com o oportunismo de de Jong encaminharam de vez o 30º título do Ajax na "Eredivisie": aos 32 minutos, o camisa 8 deu enfiada de bola precisa e deixou o camisa 10 na cara do gol. A finalização foi categórica, na saída do goleiro Mihailov. 3a1, para delírio da maioria do público presente numa Arena de Amsterdã lotada.
Siem de Jong acompanha a trajetória da bola após toque categórico para o 3º gol do Ajax na partida, naquele momento praticamente definindo o título holandês.

A entrada do zagueiro Andre Ooijer no lugar do atacante Lorenzo Ebecilio aos 35 minutos deram o tom de que o negócio era defender-se para segurar a vantagem. Preud'homme ainda tentou uma alternativa colocando o meio-campista sueco Emir Bajrami (natural do Kosovo) no lugar do também meio-campista Nacer Chadli, belga de 22 anos de idade. O espírito de liderança de Ooijer foi exposto com vigor depois de um princípio de desentendimento, onde o defensor afastou quem chegasse perto com empurrões que direcionavam os adversários de volta para o lugar de onde vinham. Era apenas mais um ingrediente de um jogo decisivo, que rumou ao apito final de Pieter Vink promovendo reações opostas nos rostos flagrados nas arquibancadas: torcedores do Twente choravam a perda do título enquanto os adeptos do Ajax festejavam o 30º caneco de Campeonato Holandês, após 7 anos de espera. Ou de azar?

Outros resultados

Willem II (18º) 0a1 (13º) NAC Breda
Roda JC (6º) 0a0 (12º) Heerenveen
Heracles (8º) 3a0 (7º) ADO Den Haag
Feyenoord (10º) 1a1 (11º) NEC
De Graafschap (14º) 1a0 (17º) VVV
Utrecht (9º) 5a1 (4º) AZ
Vitesse (15º) 1a4 (16º) Excelsior
Groningen (5º) 0a0 (3º) PSV

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Dois Pra Lá, Dois Pra Cá - Passa O Ceará

Após quebrar a invencibilidade do Flamengo na quinta-feira passada e faturar o Campeonato Estadual pela 40ª vez no domingo, o Ceará deu seqüência a uma semana mágica ao arrancar um empate por 2a2 diante do Rubro-negro Carioca e garantir presença na fase semifinal da Copa do Brasil, quando enfrentará o Coritiba por um lugar na final.

O jogo

Muitos foram os ingredientes que indicavam uma partida relevante. Em campo, duas equipes que recentemente conquistaram títulos estaduais em suas unidades federativas. Nas arquibancadas, o público eufórico marcava presença com vibração e bandeirão. Some-se a isso a disposição dos jogadores em seguir na competição que dá vaga à Libertadores e não será difícil imaginar a boa partida que aconteceu no estádio Presidente Vargas, uma das sedes para a Copa do Mundo em 2014.

Melhor desde o apito inicial, o Flamengo era arisco e perigoso em suas empreitadas ofensivas, tanto que aos 5 minutos já colocaria o goleiro Fernando Henrique para praticar difícil defesa no canto esquerdo após chute de fora da área dado por Thiago Neves. Mostrando dificuldades para se defender, o Ceará de Vágner Mancini viu as coisas se complicarem quando o lateral-direito Boiadeiro precisou ser substituído, dando lugar para Diego Macedo.

Para sair o gol, precisaram aparecer os dois jogadores mais talentosos em campo numa mesma jogada: aos 18 minutos, Ronaldinho Gaúcho passou pelo alto para Thiago Neves, que dominou e finalizou com precisão e frieza rara a muitos centroavantes. 1a0 Flamengo.

Embora o revés ainda classificasse o Ceará, o time da casa passou a ser mais incisivo e partiu em busca do gol. Porém, o Flamengo voltaria a balançar a rede cearense aos 26 minutos. E dessa vez bastou o talento de Thiago Neves, que pegou a bola, procurou encontrar um espaço para chutar e, quando encontrou, descolou um remate cruzado da entrada da área, mandando no canto direito e colocando 2a0 no placar.

Com o adversário revertendo a vantagem tão rapidamente, Mancini decidiu mudar as coisas de maneira mais intensa: aos 30 minutos, saiu o lateral-esquerdo Vicente e entrou o atacante Osvaldo. Aos 34', o próprio Osvaldo sofreria uma falta que seria cobrada na cabeça de Washington, diminuindo para 2a1 e naquele momento gerando um resultado que levaria a partida para os pênaltis.

O momento era vantajoso ao time da casa: aos 39 minutos, Sandro Meira Ricci (o mesmo árbitro do polêmico Corinthians e Cruzeiro de 2010) deu o segundo cartão amarelo para Ronaldo Angelim, expulsando o zagueiro-lateral de campo, que na saída do gramado queixou-se alegando que nem falta havia cometido no lance. Para tentar diminuir o prejuízo naquele setor, Vanderlei Luxemburgo optou por trocar o argentino Dario Bottinelli por Egídio, lateral-esquerdo de origem. E eis que aos 42 minutos o Ceará teve escanteio para cobrar pelo lado esquerdo. Após a cobrança, Thiago Humberto escorou dividindo com a marcação e a bola chegou em Washington, que embora não tenha pego na bola do jeito que gostaria, acabou finalizando da forma que precisava para colocar a redonda na rede. 2a2 e tome festa no estádio.

O primeiro tempo ainda não tinha terminado e o Flamengo chegaria ao ataque ficando muito perto de retomar a vantagem no duelo: após a bola bater no travessão, Wanderley pegou o rebote sem goleiro e mandou na trave direita, perdendo gol incrível. Tão logo veio o apito anunciando o intervalo, uma confusão se estabeleceu no gramado, com o goleiro Felipe se desentendendo com alguns policiais que cercavam o árbitro. Ainda sobrou uma expulsão para o treinador Vanderlei Luxemburgo, que não pestanejou em acusar Sérgio Corrêa, presidente da Comissão Nacional de Arbitragem de Futebol (CONAF), de perseguição.

Veio o segundo tempo e o ritmo não era tão intenso quanto o visto na etapa anterior. De toda forma, as chances continuavam a aparecer. Prova disso é que nos dez primeiros minutos os dois goleiros já haviam evitado novos gols adversários, merecendo destaque a defesa de Fernando Henrique em chute de Renato Abreu aos 3 minutos e a defesa de Felipe após chute de Geraldo, dado de fora da área aos 10.

Com 12 minutos, Luxemburgo tirou Leonardo Moura de campo (não me pergunte o motivo, até agora estou sem entender) e colocou o chileno Gonzalo Fierro. Três minutos depois, Mancini trocou Thiago Humberto por Eusébio. Aos 31, Luxa faria a última mexida do jogo trocando Willians por Negueba, figura bastante acionada pelo lado direito mas que mostrava severas dificuldades em efetuar cruzamentos - e Léo Moura no banco...

O cronômetro avançava e o desfecho era cada vez mais próximo. Embora precisando de um gol para se classificar, o Flamengo parecia esbarrar nas próprias pernas cansadas e ficava mais exposto a contra-ataques do que propriamente mostrava-se capaz de criar situações de gol. O Ceará, valente, contava com Geraldo para cadenciar o toque de bola no meio-campo quando o outrora atacante Iarley já havia sido deslocado para a função de ala-direito, mais focado na marcação do que em qualquer outra coisa. Valeu o esforço: Ceará classificado.

Outro resultado

Palmeiras 2a0 Coritiba (2a6 no agregado)

terça-feira, 10 de maio de 2011

Equipe E Jogada Da Semana

Que time no mundo pode se dar ao luxo de poupar jogadores numa partida eliminatória pela fase semifinal na mais importante competição continental para preservar alguns atletas visando um duelo decisivo pela liga nacional? Esse time tem nome: Manchester United.

Com um time misto, a equipe comandada por Alex Ferguson não apenas recebeu o Schalke 04 em Old Trafford para administrar a vantagem de 2a0 conquistada na Alemanha: sapecou uma goleada por 4a1 e avançou a uma final que será disputada em Wembley diante do Barcelona, no próximo dia 28.

Passada a quarta-feira vitoriosa, o United tinha um compromisso fundamental nas pretensões pelo título na "Premiership": partida com o vice-líder da competição, domingo. E não deu chances ao Chelsea: abriu o placar no 1º minuto, dominou grande parte de partida e venceu por 2a1, para euforia de seus torcedores.

Esse é o Manchester United. Aparentemente, o adversário mais qualificado para tentar a proeza de medir forças com a melhor equipe do mundo na atualidade. Tão qualificado que é possível - e até viável - dizer que o aguardado duelo em Wembley não tem um favorito.

Jogada da semana

O que esperar de um jogador que há mais de 7 meses não joga uma partida? Tratando-se de alguém do talento de Maicosuel, é melhor não duvidar de nada. Veja o que fez o "Mago", que entrou no segundo tempo de partida amistosa com o Friburguense e marcou o único gol do jogo.

Como canta a torcida botafoguense: ô... Maicosuel voltou! E o futebol agradece esse retorno.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Manchester Domina O Jogo, Vence O Chelsea E Mostra Quem Manda Na Inglaterra

Na frente no placar desde os 35 segundos de partida, o Manchester United mostrou de uma vez por todas porque está muito perto de faturar o título da "Premiership" na presente temporada: atacou com velocidade, defendeu-se com firmeza e mostrou uma organização tática praticamente impecável em todos os setores da equipe. O suficiente e o justo para superar o vice-líder Chelsea, abrindo 6 pontos de vantagem sobre os Azuis a duas rodadas do encerramento e praticamente selando mais essa conquista de Alex Ferguson.

O jogo

A expectativa em torno da partida era a de uma decisão de campeonato - até porque efetivamente se tratava disso. E, contrariando todos os prognósticos que giravam em torno de um jogo equilibrado no estádio Old Trafford, os donos da casa foram pra cima e com 35 segundos já abriram o placar: Park Ji-Sung deu enfiada de bola certeira, David Luiz falhou na tentativa de interceptação e Javier "Chicharito" Hernández ficou livre, de frente com o goleiro Petr Cech, marcando 1a0.

Aos 10 minutos, uma nova jogada dos mandantes quase voltou a terminar em gol. E, curiosamente, envolveu os mesmos personagens: Ji-Sung colocou na área (dessa vez pelo alto), David Luiz voltou a falhar na tentativa de fazer o corte e quem chegou na bola foi Javier Hernández, que dessa vez acabou não conseguindo desviar para o gol, para alívio de Cech.

Explicitamente melhor em campo, o segundo gol saiu aos 22 minutos e fez justiça à tamanha superioridade do Manchester: Ryan Giggs cruzou da esquerda e Nemanja Vidic cabeceou para dentro. Sentindo o prejuízo no placar e também no desempenho, o Chelsea quase viu-se com um homem a menos: Branislav Ivanovic (que recebeu cartão amarelo aos 12 minutos), poderia ter sido expulso aos 39, depois de atingir Wayne Rooney. Mas Howard Webb, árbitro da final da Copa do Mundo 2010, preferiu não mexer no bolso.

As equipes voltaram modificadas para o segundo tempo. Ferguson trocou John O'Shea por Jonathan Evans enquanto Carlo Ancelotti tratou de tirar David Luiz (que teve atuação comprometedora na etapa inicial) e John Obi Mikel (abaixo do que pode render) para colocar os brasileiros Alex e Ramires. O Chelsea melhorou visivelmente, conseguiu ter a bola consigo e passou a chegar mais vezes ao ataque, mas invariavelmente esbarrando na bem postada defesa adversária. Precisando de gols, Ancelotti colocou Fernando Torres no lugar de Salomon Kalou. Mas quem balançaria a rede seria Frank Lampard: aos 23 minutos, um bate-rebate na área do Manchester acabou indo de Ivanovic para o camisa 8, que esticou a perna e colocou no fundo do gol.

Instintivamente indo para cima na busca pelo empate, o Chelsea permitiu ao oponente um grande espaço para os contra-ataques. Não foram poucas as chances de o Manchester United marcar, como uma em que Rooney recebeu de Hernández, chutou e Alex evitou o que seria um gol certo. Defendendo-se com firmeza e sem abdicar de atacar, o Manchester foi merecedor do resultado que aparentemente define o título e a hegemonia na Terra da Rainha.
"Sir" Alex Ferguson mistura-se aos adeptos e celebra a vitória imediatamente após o apito final: comemoração entusiasmada aponta título iminente.

Outros resultados

Sábado

Aston Villa (14º) 1a1 (19º) Wigan
Bolton (9º) 1a2 (12º) Sunderland
Everton (7º) 2a1 (4º) Manchester City
Newcastle (11º) 2a1 (16º) Birmingham
West Ham (20º) 2a1 (15º) Blackburn
Tottenham (6º) 1a1 (18º) Blackpool

Domingo

Wolverhampton (17º) 3a1 (13º) West Bromwich
Stoke City (8º) 3a1 (3º) Arsenal

Segunda-feira

Fulham (10º) 2a5 (5º) Liverpool

Terça-feira, Manchester City e Tottenham fazem o jogo que têm em atraso para igualar os 36 jogos de todos os outros participantes. E não é uma partida qualquer: na disputa por um lugar na Liga dos Campeões da Europa, os Spurs estão 6 pontos atrás dos Citizens e precisam da vitória. O Liverpool, 4 pontos atrás do City, torce pela equipe visitante para também sonhar com a vaga. Manchester United, Chelsea e Arsenal, como de hábito, garantiram as suas presenças.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A Heróica Saga Do Braga, "Custódio" O Que Custar

Jogando no estádio AXA, onde simplesmente não foi vazado uma única vez nessa Liga Europa, o Sporting Braga conseguiu o gol solitário que o coloca heroicamente na grande final continental, a ser disputada em Dublin, Irlanda, no próximo dia 18. Se por um lado é inegável que a equipe soube se defender e mostrou muita determinação para conseguir a classificação diante de um time mais forte, cabe colocar que o Benfica teve pelo menos três chances daquelas que causam calafrios tanto para quem torce para a bola entrar quanto para quem torce para que o gol não aconteça. Confesso que, hoje, reforcei a torcida bracarense.

O jogo

A partida em Lisboa havia terminado com o placar de 2a1 para os benfiquistas e tal resultado trouxe a um início de jogo totalmente dentro do esperado para a partida de volta: o Braga indo ao ataque no simpático estádio AXA (que mistura-se com a bonita paisagem geomorfológica que pode ser percebida atrás de ambas as balizas).

Os torcedores empurravam das arquibancadas e, dentro de campo, era o experiente e hábil meio-campista Hugo Viana (jogador com passagens por Newcastle e Valencia) quem ditava o ritmo da conexão meio-ataque. O brasileiro José Márcio da Costa, mais conhecido como Márcio Mossoró (campeão de Copa do Brasil com o Paulista de Jundiaí e com passagem relativamente discreta pelo Internacional), também era participativo e dava trabalho para uma defesa adversária que contava com dois brasileiros no miolo de zaga: Luisão e Jardel.

Mesmo com a tentativa de pressão por parte dos donos da casa, o primeiro goleiro a ser exigido foi justamente o brasileiro Artur: aos 15 minutos ele vôou bonito para, de mão trocada, desviar com dedos uma cobrança de falta muito bem batida por Carlos Martins. E a resposta braguista veio também na bola parada: aos 18 minutos, Hugo Viana cobrou escanteio pela esquerda e Custódio Miguel Dias de Castro foi impecável na subida e na execução do cabeceio, mandando inapelavelmente na costura da rede, no canto esquerdo, sem chance para o espanhol Roberto Jiménez. 1a0 Braga, para explosão de alegria no estádio.

O negócio realmente era através da bola parada: aos 30 minutos, Hugo Viana cobrou curto para trás uma falta pelo lado direito e Sílvio chutou bonito, mandando um remate cruzado rente ao poste direito. Mas o primeiro tempo também teve um belo lance de bola rolando: aos 42 minutos, o paraguaio Óscar Cardozo passou rasteiro para o argentino Javier Saviola, que com um toque sutil finalizou tirando do goleiro Artur, acertando caprichosamente o pé da trave esquerda. O rebote foi até Fábio Coentrão, que chutou com força mas sem colocação, mandando para fora. Um outro grande lance da equipe visitante foi evitado por Artur, que mergulhou lindamente até além do limite da pequena área para impedir que a bola chegasse limpa em Óscar Cardozo.

A mexida do treinador Jorge Jesus aos 12 minutos do segundo tempo colocando o argentino Franco Jara no lugar de César Peixoto acusava que o Benfica ia se voltar mais para o ataque na busca pelo gol que lhe era necessário. E não demorou para Jara quase marcar: aos 15 minutos, o camisa 11 chutou em arco e colocou a bola muito perto da trave esquerda. Apesar da defesa dos Arcebispos se portar bem - o zagueiro brasileiro Paulão parecia levar a melhor em praticamente todas as disputas que lhe cabiam -, o Benfica voltaria a levar perigo aos 25 minutos, quando Coentrão foi lançado nas costas da defesa pelo lado esquerdo e foi parado de forma providencial pelo goleiro Artur, que cortou limpamente uma fração de segundo antes que o lateral-esquerdo chegasse na bola.

Sob pressão do oponente, o treinador Domingos Paciência buscou dar maior solidez ao meio-de-campo colocando o brasileiro Leandro Salino no lugar de Lima, também tupiniquim, aos 27 minutos. E o Benfica seguia sua busca: aos 33 minutos, o argentino Nicolas Gaitán chutou no canto direito e a bola somente não entrou porque Artur foi fantástico ao desviar para escanteio. Foi então que cada treinador mexeu novamente: no Braga, saía Márcio Mossoró e entrava o compatriota Kaká, zagueiro. Jorge Jesus recorria ao atacante Alan Kardec, ex-Vasco, que foi colocado no lugar de Carlos Martins. Embora as mexidas sugerissem um Braga se defendendo das investidas benfiquistas, a essas duas alterações sucederam duas defesaças do goleiro Roberto, que evitou um gol de Hugo Viana e outro de Custódio.

Restava uma substituição para cada lado, e ela ocorreu aos 41 minutos: Paciência trocou o atacante camaronês Albert Meyong Zé pelo meio-campista Hélder Barbosa e Jesus apostou no brasileiro Felipe Menezes em lugar de Saviola. E, no minuto seguinte, aos 42, o Benfica teve a chance das chances para encontrar o gol que poderia dar-lhe a vaga na final continental. A bola cabeceada por Alan Kardec passou pelo goleiro Artur - algo que parecia fora das possibilidades, dada a grande atuação do arqueiro - mas não por Paulão, que afastou praticamente em cima da linha final.

O apito final do inglês Martin Atkinson fez explodirem fortes emoções no campo e nas arquibancadas, com os adeptos do Sporting Braga celebrando euforicamente a heróica e inédita classificação para uma final européia. Dentro de campo, o contraste de rostos estampando alegrias e tristezas denunciavam o que acabava de acontecer. Coentrão, um dos mais emocionados, chorava como uma criança a eliminação benfiquista, saindo de campo carregado.

Com a classificação do Porto na outra semifinal, podemos garantir que, na alegria ou na tristeza, em Dublin a festa será portuguesa. Com certeza.

Outro resultado

Villarreal 3a2 Porto (4a7 no agregado)